
Para que serve um economista?
Em 13 de agosto, registra-se o dia do economista. Essa data existe no Brasil desde 1951, quando foi sancionada a lei nº 1.411, que regulamentou a profissão e estabeleceu as normas para sua organização — um passo além da primeira menção ao economista, enquanto profissional liberal, feita anteriormente na CLT de 1943.
No século XIX e início do XX, as noções de economia eram passadas de maneira dispersa, a economia não era ensinada como um curso próprio, ainda muito ligada ao ensino dos cursos de Direito, Engenharia e Comércio. Entre as décadas de 1920 e 1930 surgiram graduações em Economia, ainda muito ligadas a Contabilidade e Administração. O primeiro curso oficialmente reconhecido veio em 1945, fruto das iniciativas de Eugênio Gudin e Octávio Bulhões, inspiradas no currículo da Faculdade de Economia de Harvard. Três décadas depois, em 1973, nascia a ANPEC — Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia — para fortalecer e qualificar os programas de pós-graduação no país.
Com a industrialização brasileira a partir de Getúlio, cresceram também o tamanho e o papel do Estado. Surgiram órgãos como o Conselho Nacional de Política Industrial e o Instituto Nacional de Minas e Energia, e empresas como CSN, Vale, Petrobras e o então BNDE (atualmente BNDES), que demandaram a participação de economistas.
Professora universitária das mais destacadas, Maria da Conceição Tavares, ganhou notoriedade fora dos meios acadêmicos na década de 1980 ao chorar na implementação do Plano Cruzado e elogiar os economistas. Infelizmente foi mais uma tentativa frustrante.
Nos últimos anos, vivemos cenários econômicos bem diferentes. Há apenas cinco anos, o mundo enfrentava os efeitos da pandemia — fechamento de portos, quebra nas cadeias de suprimento, queda na produção e, como consequência, pressão sobre preços e juros.
Já em 2024, o Brasil registrou 30 anos do Plano Real. Foi um marco conduzido por uma equipe de economistas que soube unir técnica, coragem e visão política, derrotando temporariamente o “dragão da inflação”, que corroía salários e empregos, especialmente entre os mais vulneráveis.
Ao longo das últimas décadas, economistas também participaram de políticas públicas para reduzir a pobreza e melhorar a distribuição de renda — um desafio que continua atual num país que ainda precisa avançar em desenvolvimento.
Em 2025, vemos outro teste aos economistas: lidar com a revisão unilateral das regras comerciais pelos Estados Unidos, a partir de critérios político-ideológicos, com aumento de tarifas sobre os produtos brasileiros. Isso exige criatividade e habilidade das lideranças políticas e econômicas para minimizar impactos.
A imagem do economista ainda é muitas vezes ligada a políticas públicas ou a órgãos governamentais. No senso comum, ele pode até ser confundido com alguém que entende apenas de economia doméstica ou que aprende a “saber economizar”. Mas, na prática, a atuação do economista vai muito além. Com o avanço da inteligência artificial, novas dinâmicas surgem no mercado de trabalho, no consumo e na produção — cabe ainda ao economista ajudar na interpretação dessas mudanças.
No setor privado, o economista pode atuar como analista, executivo ou consultor, auxiliando empresários em decisões estratégicas. Ele estuda a concorrência, avalia empresas e projetos, elabora pareceres econômico-financeiros e busca formas de garantir a geração e o crescimento de empregos e renda.
E se antes a economia doméstica parecia algo distante da profissão, hoje vemos que o interesse das pessoas por empreendedorismo, poupança e investimentos só aumenta. Nesse cenário, o economista também assume o papel de educador financeiro, ajudando famílias e indivíduos a entender e administrar melhor seus recursos.
Mais do que nunca, o economista é peça-chave para o desenvolvimento do país e para o bem-estar da sociedade; mas é sempre bom lembrar, se juntarmos dois economistas num debate, o mais provável é termos três opiniões…